terça-feira, 29 de abril de 2008

Miss Saigon - Assisti e comentei.

Quem vai ser a Miss Saigon? Essa frase é a pergunta que as prostitutas vietnamitas cantam no bordel e que acaba selando o destino da personagem Kim. A jovem camponesa é retirada de sua família durante a guerra com os Estados Unidos e é então jogada em um prostíbulo pelo cafetão “Engenheiro”. Em sua primeira noite, o encontro com o soldado Chris, muda sua história. Em uma grande loteria, onde jovens mulheres sonham em se ver livres do seu país, através de uma história de amor com algum americano, Kim vê uma saída no fim do túnel.

O musical é na realidade uma crítica ao sonho americano e aos efeitos devastadores da guerra. Enquanto no papel o Vietnã saiu vitorioso, na prática a vitória demorou a ser sentida pelos habitantes. Kim, a protagonista, não conseguiu sair da prostituição, e sua paixão avassaladora pelo soldado americano se tornou um fantasma fatal, materializado com o nascimento de um filho.

O musical é um bom exemplo da capacidade do Brasil em fazer adaptações dos espetáculos consagrados nos grandes teatros nova-iorquinos e ingleses (apesar de que também aposto em montagens tupiniquins próprias). Os atores, cantores e bailarinos desempenham com excelência os seus papéis. É de dar gosto de ver. Destaque para a cantora Lissah, que no passado fez parte do grupo Rouge. Interpretando a protagonista da história, ela se redime, mostrando que é capaz de participar de um espetáculo de grande nível.
Mas o show mesmo fica por conta do ator Marcos Tumura, que interpreta o cafetão. Sensacional.

Sinceramente, a música do casal não se compara aos grandes temas como Fantasma da Ópera ou A Bela e a Fera, chegando até ser um pouco chata (achei a letra sofrível), mas a canção American Dream é de tirar o chapéu. Nela, o Engenheiro mostra todo o seu sonho de chegar aos Estados Unidos. Enquanto ele lastima sobre sua situação no oriente e canta seu desejo de ser um yankee, dançarinas no melhor estilo Marilyn Monroe invadem o palco.

No fundo projeções da Estátua da Liberdade estilizada são exibidas, ilustrando as facilidades e ilusões do american way of life que ele tanta deseja. Porém, a ironia da música, e a boa interpretação do ator, deixam clara a crítica que ali é feita (juro que ainda quero ver a versão americana desse espetáculo). Certamente essa parte vale a montagem.

Outro momento memorável é quando as tropas são retiradas de Saigon e num jogo de cenografia maravilhoso as grades dançam com os atores no palco uma coreografia perfeita, hora mostrando a embaixada americana, hora enfocando os soldados e por fim o abandono de quem não conseguiu entrar no helicóptero. Uma das partes mais trágicas da história mostra a triste e fatal separação do casal, porém quem realmente chama atenção é o som 5.1 do Teatro e a projeção da aeronave de guerra quase em tamanho real. Simplesmente maravilhoso. Uma boa solução para o problema de colocar um helicóptero no palco, como é feito na Broadway americana.

A separação acontece, a prostituta é abandonada e o soldado retorna ao seu país de origem. O tempo passa e a história caminha até mostrar Chris casado com uma outra mulher, morando nos Estados Unidos, mas sonhando com Kim no Vietnã. Por sua vez, a jovem gerou um filho e se agarra as promessas de que o “marido” voltaria para buscá-los e então terem uma nova vida longe dali, como a fora prometido. Nada mais típico.

Com um difícil desfecho pacífico, a platéia se pergunta: o que fazer? Deveria Chris separar da atual esposa e cumprir a promessa à mulher vietnamita de levá-la para viver na América? Deveria ele pegar o filho e criá-lo como a esposa atual? Sem respostas e sem ter a chance de se encontrar com o amado, Kim decide por ambos. Em vez dos aplausos, o silêncio. Silêncio para o Vietnã hoje, para os filhos de americanos abandonados e para o american dream. Bom espetáculo.


Ah! Uma dúvida minha: a criança que interpreta o filho dos protagonistas pode trabalhar num espetáculo como esse? A censura é 12 anos e o menino deve ter no máximo uns 5. Alguém sabe responder?

4 comentários:

Anônimo disse...

Quero ver, quero ver, quero ver...

Anônimo disse...

Ah Bruna!
Boa questão!

Será? Alguém aí entende disso?

Anônimo disse...

Bruu... So wonderful your text!
You are writing pretty good!

Love ya!

Anônimo disse...

Bru, te amo irmãzinha!

O texto tá maravilhoso. E acho que esse lance aí da censura, é só pra platéia. Além do mais, existem bilhões de filmes com censura, nos quais crianças participam. (Os de terror, por exemplo).
Acho que os pais dele assinaram um termo se responsabilizando por tudo.

Ohh... Brasil, um país democrata! HEHEHEHE...

bjão!