Mas, se for pra colocar algo bem bacana também, estou aqui. Voltemos ao princípio: Estive conversando com a Julie sobre a nova ditadura sobre ser e parecer ser, e aí, citamos o livro e o filme "O Diabo veste Prada", de Lauren Weisberger e David Frankel respectivamente.
E aí, tirei minhas conclusões.
Pra quem nunca viu esse texto, está aqui.
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"Minha análise sobre o livro O Diabo veste Prada".
Sapatos, bolsas, saias, blusas, vestidos e maquiagem. Tudo isso faz parte de um universo comum às mulheres, independente da classe social, idade ou intensidade. Aliando esses itens a marcas poderosíssimas, mulheres belíssimas (e magras) e um mundo de muito glamour, cria-se um poderoso imaginário de perfeição e ideal. Entretanto, o livro e o filme homônimo O Diabo veste Prada abordam um lado interessante dessa dinâmica quase ditatorial: qual a importância desses itens no cotidiano de uma pessoa? Qual o limite de uma aspiração profissional? Duas boas perguntas.
Para quem assistiu ao filme, o livro é bem diferente. Não há nenhuma conspiração para a saída de Miranda Priestly da revista Runaway e o desligamento da heroína é motivado por um acidente quase fatal com sua melhor amiga Lily (que no livro é alcoólatra), enquanto Andrea está na estonteante Paris. Ah! E o final de Andy não é no The New Yorker com o aval e recomendação da ex-chefe, mas sim à caminho do mesmo prédio Elias Clark, em Manhattan, rumo a uma entrevista na revista Buzz. Um final certamente menos glamouroso do que o do longa-metragem, que certamente é mais atraente para um filme que pretende deixar todos com aquele desejo de revanche da chefe má. Entretanto, a essência é a mesma e os questionamentos permanecem.
Como uma boa devoradora de livros, li as quase 500 páginas em uma semana, entre uma parada no trânsito, intervalo do almoço, antes da aula e até nos plantões. E recomendo: o livro é realmente bom. Bem escrito e com narrativa agradável e atraente, é daqueles tipos que nem dá vontade de soltar, para ver logo como acaba a história. O problema é que durante a leitura, quando eu menos esperava, me vi completamente influenciada pela neura de Andrea Sachs! Relaxa, Bruna. Não há nenhuma Miranda por aqui!
Realmente acredito que para ter reconhecimento, sucesso, entre outras coisas no mundo profissional é preciso de dedicação, esforço e sacrifício. Entretanto, até que ponto? A que preço? E o que se está disposto a sacrificar? No caso da heroína da história, passo a passo, ela foi se modificando até ser confrontada com o seu pior: estava se tornando um reflexo daquilo que repudiava. Claro que visualmente falando a mudança foi, sem dúvidas, bem positiva, mas ela não aconteceu porque esse era um desejo da personagem. Andrea só passou a se vestir com o melhor do mundinho fashion e da alta costura para se adequar àquele meio e se tornar então socialmente aceitável. Tanto, que ao final da história, para se "exorcisar" do um ano de escravidão (e muita humilhação) na revista - como ela mesma denomina, a antiga assistente da mulher mais temida da moda, se livra das roupas, sapatos entre outros "bens" adquiridos durante a experiência vivida. No filme, a boazinha Andy os dá de presente a ex-colega de trabalho "Emily", enquanto no livro ela vende tudo por praticamente U$40.000,00. Fico com a segunda opção!
As minhas pergunta são: Por que existem Mirandas Priestlys que se tornam padrões? Por que esse seria um emprego pelo qual milhares dariam a vida? E por que o que as revistas dizem que é belo se torna moda e a maioria simplesmente aceita? Vivemos em um mundo que dita o perfeito ao lado do efêmero. E ai daquele que não acompanhar.
Em meio a tantas questões, as palavras de ordem continuam sendo: bom senso. Seja ele para chefes, subordinados, ou aspirantes. E no mais, bom trabalho!
E pra quem ainda não assistiu, é uma ótima dica para o final de semana.
Beijos.

5 comentários:
Bruuuuuuu, arrasou!!
Ps: Esse foi um dos textos que você mandou pra fuvest?
Preciso estudar, porque você é uma das minhas melhores concorrentes!
Rs..
Tenho certeza: Larga a medicina e corre pra ser minha colega de turma, no jornalismo.
Bjs.
No final do filme, pelo menos, a gente vê a "humanização" da poderosa editora. Dá dó mesmo, né?! Eu não acho válido viver só em função do sucesso profissional, deixando o pessoal de lado e vendo o casamento ruir. Mas também não acho que a mulher deva viver em função do marido, dos filhos e da casa, enterrando suas vontades e desejos. Uma coisa não precisa excluir a outra. Como você disse, bom senso. E outra, a gente tem que repensar o que é ter "sucesso", seja na profissão, na vida amorosa ou em qualquer coisa. Querendo chegar ao ou manter-se no sucesso pode nos fazer esquecer de sermos apenas felizes!
Valeu a discussão.
Concordo com vc, Julie. No livro não há essa abertura de espaço para a humanização de Miranda. Ela é uma bruxa e pronto. Ao mesmo tempo, é contado um pouco da história dela, numa tentativa de justificar o que a fez chegar até ali e ser como é. Mas justificar o injustificável? Difícil, né.
Gosto de pensar sobre o que é sucesso. Meu pastor costuma substituir essa expressão por "triunfo". Infelizmente o mundo propaga que é preciso escolher entre uma boa família e um bom emprego. Fico com os dois, uma boa dose de "graça" divina e muita felicidade! Tem como? Espero que sim!
Beijão para vcs!
Não assisti ao filme e comecei a ler o livro. Confesso que não me empolguei.
Mas acho que se o esforço desmedido traz paz interior, que se faça esse esforço então!
Acredito, cegamente, que cada um deve buscar viver aquilo que lhe faz bem e não atinge o outro. Ser um profissional bem-sucedido? Ok, sonhe, trabalhe duro e alcance!
Não sei... Foi meio confuso, mais é isso! hehe
E quanto ao seu comentário, ter medo de se tornar vulnerável não é ser, de algum modo, covarde?
Fica a pergunta...
beijos
Respondendo aos comentários...
Matt, sim... Esse foi um dos textos enviados e corrigidos da Fuvest. Adoro escrever para eles, e receber as críticas. São todas de grande valor.
Relaxa Matt! Aqui não tem nenhuma Bruna Priestly! rs..
Medicina por amor... Jornalismo por hobbie! rs.
Julie, como sempre... complementando minhas palavras.
Lincon, se houver como... Estamos na mesma empreitada: Na busca por tais façanhas!
Lu, acredito que consigo entender seus pensamentos. E concordo com a frase: Se há um desejo e esse desejo nos trás paz interior, devemos fazê-lo com nossas forças, então.
Mas, quando tiver um tempinho, assista o filme. É irreverente ver como existem algumas pessoas que dariam tudo para estar num emprego que não exigem muito de si, mas que lhe dão status.
Vale a pena, então?
Quanto à pergunta... Sim, eu acredito que de alguma forma tornamo-nos covardes quando amamos. E, isso é bom?
Bjs pra todos!
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