Na verdade, a ausência do blog foi mais por priguiça. Muitas coisas pra fazer. Pouco tempo.
Penso que o que aconteceu todos esses dias fizera com que eu aprendesse a silenciar-me para principalmente ouvir.
Durante o tempo de aprender a ouvir, li um livro. Não vou tecer muitos comentários para ele. Apenas dois... Ao mínimo, instigantes.
1- Esse foi o melhor livro que já li em toda a minha vida. Em todos os sentidos.
2- Quero que todas as pessoas que amo e que irei amar, além dos que também não amam, tenham acesso e leiam esse livro.
É isso.
Acredito que estou de volta... Já esvaziei minha mochila, pronta para contar passo-a-passo dessa "viagem" ao meu interior.
Bjs!
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quinta-feira, 30 de abril de 2009
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Machado de Assis na Rede Globo
“Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se se podiam chamar assim.” Dom Casmurro
Os olhos mais famosos da literatura brasileira estão reencarnando novamente. Capitu, a enigmática heroína de Machado de Assis, revivida, inúmeras vezes, no cinema, no teatro e na música, ganhou duas intérpretes na TV. São atrizes de estilos diferentes - uma desconhecida e moderna (Letícia Persiles), outra famosa e clássica (Maria Fernanda Cândido) - mas não há dúvidas sobre por que serão as protagonistas das duas fases de "Capitu", nova minissérie da Rede Globo: ambas possuem olhos que ameaçam arrastar e tragar. Perfeitos - e idênticos - olhos de ressaca.
Será um ensaio sobre a dúvida - resume Luiz Fernando Carvalho, que dirigirá a minissérie. Desde o fim de março, os atores, a maioria vinda do teatro, vêm se reunindo para uma preparação de(d/l)icada.
Desde que tomou um susto com o convite do diretor, que a viu num show do Manacá, sua banda que mistura rock com ritmos folclóricos, o diretor teve certeza de que sua procura por uma protagonista terminara, Letícia vem tentando decifrar a Capitu menina que vai interpretar, uma garota meio moleca, mas sedutora, de 14 anos. Letícia diz ter consciência da responsabilidade de interpretar uma protagonista em uma minissérie "global", mas nos ensaios não parecia preocupada com a possibilidade de fama, dizem.
Procurei sentir o frescor da adolescência e remexi minhas coisas, relendo cartas antigas, de namorados - afirma a interprete da Capitu menina, que montou uma caixa com objetos que a têm ajudado nessa descoberta da menina plena de vida. Guardo cartas, luvinhas de renda, elementos da época - diz a atriz, que carregou a caixinha para o telhado do prédio onde mora e para perto do mar, tentando respirar com o peito aberto, como acredita que Capitu fazia.
Mas, não, não adianta esperar que o mistério que assombra a literatura e inspira tratados psicanalíticos (Capitu traiu ou não o marido com seu melhor amigo, Escobar?) tenha uma conclusão na TV. Apesar de dar nome à minissérie, a mulher dos "olhos de cigana oblíqua e dissimulada" não terá a chance de contar a sua versão da tragédia. Como no livro, ouviremos os fatos de um narrador casmurro e obcecado: Bento, interpretado pelo ator, poeta e apresentador Michel Melamed.
Maria Fernanda também foi construindo aos poucos a sua Capitu - a mulher e a menina terão o mesmo peso nos capítulos. Como Letícia, ela fala com doçura sobre a composição da personagem. E diz que o que menos importa é o dilema da traição.
Vejo a Capitu como uma mulher livre, com sede de vida e coragem para ser feliz. Uma mulher intensa, muito julgada, apontada por todos, mas que segue a vida sem amargura - diz Maria Fernanda, dona de olhares sedutoríssimos (como diria José Dias) e singulares.
Maria Fernanda vem tendo aulas de piano e, acostumada ao ritmo industrial das novelas, tem celebrado uma concepção carregada de significados. - A gente erra junto, joga uma coisa no lixo, guarda outra na gaveta. Cada um tem a sua Capitu - acredita a atriz.
Agora é esperar e conferir.
P.S – E você, já leu Dom Casmurro? Se não, corra logo e vá tomar partido de alguém...
Os olhos mais famosos da literatura brasileira estão reencarnando novamente. Capitu, a enigmática heroína de Machado de Assis, revivida, inúmeras vezes, no cinema, no teatro e na música, ganhou duas intérpretes na TV. São atrizes de estilos diferentes - uma desconhecida e moderna (Letícia Persiles), outra famosa e clássica (Maria Fernanda Cândido) - mas não há dúvidas sobre por que serão as protagonistas das duas fases de "Capitu", nova minissérie da Rede Globo: ambas possuem olhos que ameaçam arrastar e tragar. Perfeitos - e idênticos - olhos de ressaca.
Será um ensaio sobre a dúvida - resume Luiz Fernando Carvalho, que dirigirá a minissérie. Desde o fim de março, os atores, a maioria vinda do teatro, vêm se reunindo para uma preparação de(d/l)icada.
Desde que tomou um susto com o convite do diretor, que a viu num show do Manacá, sua banda que mistura rock com ritmos folclóricos, o diretor teve certeza de que sua procura por uma protagonista terminara, Letícia vem tentando decifrar a Capitu menina que vai interpretar, uma garota meio moleca, mas sedutora, de 14 anos. Letícia diz ter consciência da responsabilidade de interpretar uma protagonista em uma minissérie "global", mas nos ensaios não parecia preocupada com a possibilidade de fama, dizem.
Procurei sentir o frescor da adolescência e remexi minhas coisas, relendo cartas antigas, de namorados - afirma a interprete da Capitu menina, que montou uma caixa com objetos que a têm ajudado nessa descoberta da menina plena de vida. Guardo cartas, luvinhas de renda, elementos da época - diz a atriz, que carregou a caixinha para o telhado do prédio onde mora e para perto do mar, tentando respirar com o peito aberto, como acredita que Capitu fazia.
Mas, não, não adianta esperar que o mistério que assombra a literatura e inspira tratados psicanalíticos (Capitu traiu ou não o marido com seu melhor amigo, Escobar?) tenha uma conclusão na TV. Apesar de dar nome à minissérie, a mulher dos "olhos de cigana oblíqua e dissimulada" não terá a chance de contar a sua versão da tragédia. Como no livro, ouviremos os fatos de um narrador casmurro e obcecado: Bento, interpretado pelo ator, poeta e apresentador Michel Melamed.
Maria Fernanda também foi construindo aos poucos a sua Capitu - a mulher e a menina terão o mesmo peso nos capítulos. Como Letícia, ela fala com doçura sobre a composição da personagem. E diz que o que menos importa é o dilema da traição.
Vejo a Capitu como uma mulher livre, com sede de vida e coragem para ser feliz. Uma mulher intensa, muito julgada, apontada por todos, mas que segue a vida sem amargura - diz Maria Fernanda, dona de olhares sedutoríssimos (como diria José Dias) e singulares.
Maria Fernanda vem tendo aulas de piano e, acostumada ao ritmo industrial das novelas, tem celebrado uma concepção carregada de significados. - A gente erra junto, joga uma coisa no lixo, guarda outra na gaveta. Cada um tem a sua Capitu - acredita a atriz.
Agora é esperar e conferir.
P.S – E você, já leu Dom Casmurro? Se não, corra logo e vá tomar partido de alguém...
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Vidas Secas Humanas
Minha proposta de vida é alcançar um elevado objetivo: tornar-me humana, humanizar-me. Desafios são tarefas árduas, requerem trajetórias, não comportam imediatismos, apresentam obstáculos. Enfrento uma peleja diária com o feroz inimigo da minh’alma: eu mesmo.
Caminhos são estreitos. Na Biologia, somos classificados como pertencentes a espécie do homo sapiens, embora a tendência é a da desumanização do ser. Afastar do que é humano gera um processo de degradação, quer seja manifestar a animalização ou almejar a divinização do homem.
Graciliano Ramos escreveu a clássica obra “Vidas Secas”. Na paisagem do sertão nordestino, o autor descreve a decadência humana diante da pobreza, uma identidade deturpada. Fabiano, juntamente com sua família, são caracterizados como animais: falam pouco, resmungam, brigam, xingam, sobrevivem. Uma integrante do lar considerada a mais humana, solidária e sensível dentre todos, é a cachorra Baleia. A narrativa enfatiza a inversão das naturezas entre homens e animais.
As descrições no conto O lixo, de Suênio Trindade Alves, se assemelham quanto às indagações, afirmações e dúvidas de Fabiano, personagem de Graciliano. Este, no mesmo instante que afirma ser um homem, quando volta a olhar sua realidade, corrige dizendo: “Você é um bicho, Fabiano”. Aquela criatura, em algum momento se confunde com suas atitudes apresentadas pela bruta vida.
Opondo-se, também há algo perigoso e descaraterizador de indivíduos. Achar-se ser um "deus" e detentor de todo poder, cria-se uma distância da verdadeira identidade. Como ilustração, podemos citar o filme “Todo Poderoso”, encenado por Jim Carrey, no qual o jornalista Bruce Nolan, chateado com a vida passa a resmungar com Deus e este lhe oferece os poderes eternos. Por fim, Bruce admite que ser Deus não é facil e está visivelmente patente que ele se utilizou das prerrogativas metafísicas somente para a satisfação de seu ego.
A religião é propícia para tal questão. Ela sempre estimulou os homens a buscar ser o “Ser”, atingir a perfeição, ter o poder, divinizar-se. Evangélicos, mais do que nunca, montam um discurso triunfalista, arrogante e autoritário. Na história da igreja é perceptível que, vários conflitos entre determinados povos e nações se deu através do argumento religioso. Podemos citar, por exemplo, a Ruanda entre hutus e tutsis, as Cruzadas (cristãos e muçulmanos), a França com os Huguenotes (calvinistas), a Irlanda entre católicos e protestantes, a guerra santa do século XXI.
Ainda existem brigas para alcançar a religião, a doutrina e a teologia perfeita, para ser o próximo integrante do rol de membros dos bilionários do mundo, para se elevar diante das pessoas e desprezá-las, para ter o controle do mundo e o futuro nas mãos, para possuir cargos, posições, reconhecimento público e fama. A lógica do narcisismo invade e é permeada por toda a história humana.
Estou confusa: Há distinção entre o que é animalizado e endeusado? Parecem que ambos se fundem. Ando numa linha tênue, na corda bamba do alto de edifícios. Equilibro para não ser tentado nas secas vidas humanas. Preciso de pessoas, pois quando tropeçar, existem vidas que não me deixarão sucumbir no abismo da prepotência ou do vazio existencial, e vice-versa, até que juntos, alcancemos o alvo que nos inspira: ser exemplos de humanidade.
Pensem aí.
Caminhos são estreitos. Na Biologia, somos classificados como pertencentes a espécie do homo sapiens, embora a tendência é a da desumanização do ser. Afastar do que é humano gera um processo de degradação, quer seja manifestar a animalização ou almejar a divinização do homem.
Graciliano Ramos escreveu a clássica obra “Vidas Secas”. Na paisagem do sertão nordestino, o autor descreve a decadência humana diante da pobreza, uma identidade deturpada. Fabiano, juntamente com sua família, são caracterizados como animais: falam pouco, resmungam, brigam, xingam, sobrevivem. Uma integrante do lar considerada a mais humana, solidária e sensível dentre todos, é a cachorra Baleia. A narrativa enfatiza a inversão das naturezas entre homens e animais.
As descrições no conto O lixo, de Suênio Trindade Alves, se assemelham quanto às indagações, afirmações e dúvidas de Fabiano, personagem de Graciliano. Este, no mesmo instante que afirma ser um homem, quando volta a olhar sua realidade, corrige dizendo: “Você é um bicho, Fabiano”. Aquela criatura, em algum momento se confunde com suas atitudes apresentadas pela bruta vida.
Opondo-se, também há algo perigoso e descaraterizador de indivíduos. Achar-se ser um "deus" e detentor de todo poder, cria-se uma distância da verdadeira identidade. Como ilustração, podemos citar o filme “Todo Poderoso”, encenado por Jim Carrey, no qual o jornalista Bruce Nolan, chateado com a vida passa a resmungar com Deus e este lhe oferece os poderes eternos. Por fim, Bruce admite que ser Deus não é facil e está visivelmente patente que ele se utilizou das prerrogativas metafísicas somente para a satisfação de seu ego.
A religião é propícia para tal questão. Ela sempre estimulou os homens a buscar ser o “Ser”, atingir a perfeição, ter o poder, divinizar-se. Evangélicos, mais do que nunca, montam um discurso triunfalista, arrogante e autoritário. Na história da igreja é perceptível que, vários conflitos entre determinados povos e nações se deu através do argumento religioso. Podemos citar, por exemplo, a Ruanda entre hutus e tutsis, as Cruzadas (cristãos e muçulmanos), a França com os Huguenotes (calvinistas), a Irlanda entre católicos e protestantes, a guerra santa do século XXI.
Ainda existem brigas para alcançar a religião, a doutrina e a teologia perfeita, para ser o próximo integrante do rol de membros dos bilionários do mundo, para se elevar diante das pessoas e desprezá-las, para ter o controle do mundo e o futuro nas mãos, para possuir cargos, posições, reconhecimento público e fama. A lógica do narcisismo invade e é permeada por toda a história humana.
Estou confusa: Há distinção entre o que é animalizado e endeusado? Parecem que ambos se fundem. Ando numa linha tênue, na corda bamba do alto de edifícios. Equilibro para não ser tentado nas secas vidas humanas. Preciso de pessoas, pois quando tropeçar, existem vidas que não me deixarão sucumbir no abismo da prepotência ou do vazio existencial, e vice-versa, até que juntos, alcancemos o alvo que nos inspira: ser exemplos de humanidade.
Pensem aí.
Beijos.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
A minha visão sobre o livro "O Diabo veste Prada"
É uma pena tirar daqui algo tão valioso quanto o som do Ju e do Guty. (Álias, tô com saudades demais. Desde Barra do Piraí, não nos vimos mais. Tô precisando dar uma passada no Appaloosa, ou no Cana, pra deixar um beijo bem básico. Amo vocês, criaturinhas dóceis!).
Mas, se for pra colocar algo bem bacana também, estou aqui. Voltemos ao princípio: Estive conversando com a Julie sobre a nova ditadura sobre ser e parecer ser, e aí, citamos o livro e o filme "O Diabo veste Prada", de Lauren Weisberger e David Frankel respectivamente.
E aí, tirei minhas conclusões.
Pra quem nunca viu esse texto, está aqui.

"Minha análise sobre o livro O Diabo veste Prada".
Sapatos, bolsas, saias, blusas, vestidos e maquiagem. Tudo isso faz parte de um universo comum às mulheres, independente da classe social, idade ou intensidade. Aliando esses itens a marcas poderosíssimas, mulheres belíssimas (e magras) e um mundo de muito glamour, cria-se um poderoso imaginário de perfeição e ideal. Entretanto, o livro e o filme homônimo O Diabo veste Prada abordam um lado interessante dessa dinâmica quase ditatorial: qual a importância desses itens no cotidiano de uma pessoa? Qual o limite de uma aspiração profissional? Duas boas perguntas.
Para quem assistiu ao filme, o livro é bem diferente. Não há nenhuma conspiração para a saída de Miranda Priestly da revista Runaway e o desligamento da heroína é motivado por um acidente quase fatal com sua melhor amiga Lily (que no livro é alcoólatra), enquanto Andrea está na estonteante Paris. Ah! E o final de Andy não é no The New Yorker com o aval e recomendação da ex-chefe, mas sim à caminho do mesmo prédio Elias Clark, em Manhattan, rumo a uma entrevista na revista Buzz. Um final certamente menos glamouroso do que o do longa-metragem, que certamente é mais atraente para um filme que pretende deixar todos com aquele desejo de revanche da chefe má. Entretanto, a essência é a mesma e os questionamentos permanecem.
Como uma boa devoradora de livros, li as quase 500 páginas em uma semana, entre uma parada no trânsito, intervalo do almoço, antes da aula e até nos plantões. E recomendo: o livro é realmente bom. Bem escrito e com narrativa agradável e atraente, é daqueles tipos que nem dá vontade de soltar, para ver logo como acaba a história. O problema é que durante a leitura, quando eu menos esperava, me vi completamente influenciada pela neura de Andrea Sachs! Relaxa, Bruna. Não há nenhuma Miranda por aqui!
Realmente acredito que para ter reconhecimento, sucesso, entre outras coisas no mundo profissional é preciso de dedicação, esforço e sacrifício. Entretanto, até que ponto? A que preço? E o que se está disposto a sacrificar? No caso da heroína da história, passo a passo, ela foi se modificando até ser confrontada com o seu pior: estava se tornando um reflexo daquilo que repudiava. Claro que visualmente falando a mudança foi, sem dúvidas, bem positiva, mas ela não aconteceu porque esse era um desejo da personagem. Andrea só passou a se vestir com o melhor do mundinho fashion e da alta costura para se adequar àquele meio e se tornar então socialmente aceitável. Tanto, que ao final da história, para se "exorcisar" do um ano de escravidão (e muita humilhação) na revista - como ela mesma denomina, a antiga assistente da mulher mais temida da moda, se livra das roupas, sapatos entre outros "bens" adquiridos durante a experiência vivida. No filme, a boazinha Andy os dá de presente a ex-colega de trabalho "Emily", enquanto no livro ela vende tudo por praticamente U$40.000,00. Fico com a segunda opção!
As minhas pergunta são: Por que existem Mirandas Priestlys que se tornam padrões? Por que esse seria um emprego pelo qual milhares dariam a vida? E por que o que as revistas dizem que é belo se torna moda e a maioria simplesmente aceita? Vivemos em um mundo que dita o perfeito ao lado do efêmero. E ai daquele que não acompanhar.
Em meio a tantas questões, as palavras de ordem continuam sendo: bom senso. Seja ele para chefes, subordinados, ou aspirantes. E no mais, bom trabalho!
E pra quem ainda não assistiu, é uma ótima dica para o final de semana.
Beijos.
Mas, se for pra colocar algo bem bacana também, estou aqui. Voltemos ao princípio: Estive conversando com a Julie sobre a nova ditadura sobre ser e parecer ser, e aí, citamos o livro e o filme "O Diabo veste Prada", de Lauren Weisberger e David Frankel respectivamente.
E aí, tirei minhas conclusões.
Pra quem nunca viu esse texto, está aqui.
"Minha análise sobre o livro O Diabo veste Prada".
Sapatos, bolsas, saias, blusas, vestidos e maquiagem. Tudo isso faz parte de um universo comum às mulheres, independente da classe social, idade ou intensidade. Aliando esses itens a marcas poderosíssimas, mulheres belíssimas (e magras) e um mundo de muito glamour, cria-se um poderoso imaginário de perfeição e ideal. Entretanto, o livro e o filme homônimo O Diabo veste Prada abordam um lado interessante dessa dinâmica quase ditatorial: qual a importância desses itens no cotidiano de uma pessoa? Qual o limite de uma aspiração profissional? Duas boas perguntas.
Para quem assistiu ao filme, o livro é bem diferente. Não há nenhuma conspiração para a saída de Miranda Priestly da revista Runaway e o desligamento da heroína é motivado por um acidente quase fatal com sua melhor amiga Lily (que no livro é alcoólatra), enquanto Andrea está na estonteante Paris. Ah! E o final de Andy não é no The New Yorker com o aval e recomendação da ex-chefe, mas sim à caminho do mesmo prédio Elias Clark, em Manhattan, rumo a uma entrevista na revista Buzz. Um final certamente menos glamouroso do que o do longa-metragem, que certamente é mais atraente para um filme que pretende deixar todos com aquele desejo de revanche da chefe má. Entretanto, a essência é a mesma e os questionamentos permanecem.
Como uma boa devoradora de livros, li as quase 500 páginas em uma semana, entre uma parada no trânsito, intervalo do almoço, antes da aula e até nos plantões. E recomendo: o livro é realmente bom. Bem escrito e com narrativa agradável e atraente, é daqueles tipos que nem dá vontade de soltar, para ver logo como acaba a história. O problema é que durante a leitura, quando eu menos esperava, me vi completamente influenciada pela neura de Andrea Sachs! Relaxa, Bruna. Não há nenhuma Miranda por aqui!
Realmente acredito que para ter reconhecimento, sucesso, entre outras coisas no mundo profissional é preciso de dedicação, esforço e sacrifício. Entretanto, até que ponto? A que preço? E o que se está disposto a sacrificar? No caso da heroína da história, passo a passo, ela foi se modificando até ser confrontada com o seu pior: estava se tornando um reflexo daquilo que repudiava. Claro que visualmente falando a mudança foi, sem dúvidas, bem positiva, mas ela não aconteceu porque esse era um desejo da personagem. Andrea só passou a se vestir com o melhor do mundinho fashion e da alta costura para se adequar àquele meio e se tornar então socialmente aceitável. Tanto, que ao final da história, para se "exorcisar" do um ano de escravidão (e muita humilhação) na revista - como ela mesma denomina, a antiga assistente da mulher mais temida da moda, se livra das roupas, sapatos entre outros "bens" adquiridos durante a experiência vivida. No filme, a boazinha Andy os dá de presente a ex-colega de trabalho "Emily", enquanto no livro ela vende tudo por praticamente U$40.000,00. Fico com a segunda opção!
As minhas pergunta são: Por que existem Mirandas Priestlys que se tornam padrões? Por que esse seria um emprego pelo qual milhares dariam a vida? E por que o que as revistas dizem que é belo se torna moda e a maioria simplesmente aceita? Vivemos em um mundo que dita o perfeito ao lado do efêmero. E ai daquele que não acompanhar.
Em meio a tantas questões, as palavras de ordem continuam sendo: bom senso. Seja ele para chefes, subordinados, ou aspirantes. E no mais, bom trabalho!
E pra quem ainda não assistiu, é uma ótima dica para o final de semana.
Beijos.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Sagarana - Assisti e comentei
Será que Manuel Fulô enfrentará Targino?
Essa é a pergunta que você se faz enquanto assiste a peça teatral "Corpo Fechado" - Um dos contos do livro "Sagarana" de Guimarães Rosa.
A história é simples: O médico de Laginha vivido por Rogério Costa, é convidado por Manuel Fulô, interpretado por Ronald Liano, para ser seu padrinho de casamento. O fato é que Manuel é um sujeitinho que faz muito descaso de qualquer tipo de trabalho, e em meio à algumas rodas de cervejas, conta para o médico suas histórias e sobre os valentões da cidade.
E aí, se desenrola a história. Manuel conta para o doutor suas trapaças pela vida, em busca de seus gostos e desejos, e por fim, mata o Targino numa briga.
Até aí, o expectador fica atento as palavras de Manuel, e em pouco tempo, o que era Corpo fechado, vira "Sarapalha"; E aí, você encontra primo Ribeiro e primo Argemiro.
Nesse conto, Guimarães Rosa mostra a situação de duas pessoas com malária, que moram num local onde seus habitantes já foram dizimados pela doença. E, além de sofrer da doença, ambos sofrem de amor: Um por ter perdido a mulher para outro homem, e o outro por não conseguir confessar seu amor pela mulher do primo querido.
"Onde está Luísa? Por onde anda?"
Bom, em primeiro lugar gostaria de parabenizar Ronald e Rogério por interpretações tão intensas, belas e memoráveis! A interpretação dos dois é um bom exemplo de que o Brasil tem sim grandes atores, e que consegue fazer adaptações de espetáculos consagrados tão boas quanto as originais.
E pra encerrar, digo: É incrível ver como contos escritos não se perdem ao longo dos anos. Como tudo o que Guimarães escreveu em seu tempo ilustre, nos alcança atualmente. Como a escrita consegue nos transportar para dimensões totalmente distantes dos parâmetros que vivemos.
E no mais, bom espetáculo!
Essa é a pergunta que você se faz enquanto assiste a peça teatral "Corpo Fechado" - Um dos contos do livro "Sagarana" de Guimarães Rosa.
A história é simples: O médico de Laginha vivido por Rogério Costa, é convidado por Manuel Fulô, interpretado por Ronald Liano, para ser seu padrinho de casamento. O fato é que Manuel é um sujeitinho que faz muito descaso de qualquer tipo de trabalho, e em meio à algumas rodas de cervejas, conta para o médico suas histórias e sobre os valentões da cidade.
E aí, se desenrola a história. Manuel conta para o doutor suas trapaças pela vida, em busca de seus gostos e desejos, e por fim, mata o Targino numa briga.
Até aí, o expectador fica atento as palavras de Manuel, e em pouco tempo, o que era Corpo fechado, vira "Sarapalha"; E aí, você encontra primo Ribeiro e primo Argemiro.
Nesse conto, Guimarães Rosa mostra a situação de duas pessoas com malária, que moram num local onde seus habitantes já foram dizimados pela doença. E, além de sofrer da doença, ambos sofrem de amor: Um por ter perdido a mulher para outro homem, e o outro por não conseguir confessar seu amor pela mulher do primo querido.
"Onde está Luísa? Por onde anda?"
Bom, em primeiro lugar gostaria de parabenizar Ronald e Rogério por interpretações tão intensas, belas e memoráveis! A interpretação dos dois é um bom exemplo de que o Brasil tem sim grandes atores, e que consegue fazer adaptações de espetáculos consagrados tão boas quanto as originais.
E pra encerrar, digo: É incrível ver como contos escritos não se perdem ao longo dos anos. Como tudo o que Guimarães escreveu em seu tempo ilustre, nos alcança atualmente. Como a escrita consegue nos transportar para dimensões totalmente distantes dos parâmetros que vivemos.
E no mais, bom espetáculo!
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